Instituto Latino Americano de Sepse – Sepse em Foco - Nº 04- Novembro - 2015
 
 
 
ILAS no XX CBMI
Nosso lema é: “Sepse você suspeita, trata e depois vê se é ou não! E depois suspende o ATB, caso não seja”

Juana Jardim – Enfermeira “Case Manager Sepse”

A implementação da Campanha Sobrevivendo à Sepse no Hospital Pasteur, no Rio de Janeiro, começou no último trimestre de 2012 (outubro/2012), o qual denominamos baseline. Há seis meses criamos e implementamos um protocolo de sepse na pediatria. O Hospital Pasteur é referência em atendimento de emergência e, por termos em média 15 mil atendimentos mensais, o maior foco de sepse é no setor de emergência.

Nós criamos uma etiqueta com todos os exames laboratoriais exigidos, sinalizando para todos da equipe e para o laboratório que precisamos agilizar a coleta daquele exame, assim como ter maior rapidez na liberação do resultado. Criamos no sistema um KIT SEPSE e, uma vez solicitado, é impresso todos os itens.

Como suspeitar da sepse - Nós treinamos cada setor individualmente, respeitando as particularidades. Na emergência, assim como nas unidades de internação, avaliamos a história do paciente. Já na emergência, analisamos desde a queda do estado geral, apesar de não constar no protocolo, assim como as medicações usadas pelo paciente e que podem mascarar taquicardia e febre. Damos atenção também aos pacientes que estão retornando com sinais de inflamação, assim como com infecções de repetição.

Nas unidades avançadas, pedimos atenção para os pacientes que já internaram com sinais inflamatórios e pacientes cirúrgicos.

Como é o trabalho – Recolhemos em todos os setores as fichas abertas, lembrando sempre que uma via deve constar no prontuário do paciente. Em posse desse protocolo, analisamos o prontuário eletrônico, físico, exames laboratoriais e de imagem, para buscar todas as informações que precisamos. Após essa avaliação inicial, aguardamos o paciente ter alta para lançá-lo no banco de dados.

Quanto aos dados- Em dois anos de coleta de dados, temos 392 casos investigados e, ao longo do tempo e com os casos, aprimoramos o nosso trabalho. Percebemos que, conforme diminuímos o tempo de disfunção, diminuímos gravidade e, consequentemente, a mortalidade.

Pontos a melhorar - 90% dos casos têm a primeira dose dos antibióticos administrados na primeira hora da suspeita. Os outros 10% tem sido preocupação constante para corrigirmos, visto que a antibioticoterapia é item primordial à sobrevida desse paciente séptico. Erros pontuais ainda ocorrem, como demora na prescrição e no pedido de laboratório, mas são pontuados e corrigidos prontamente.

Há demora e dificuldade da UTI suspeitar ou diagnosticar a sepse precocemente, visto serem pacientes mais graves e, em sua grande maioria, com disfunções prévias. Com as novas diretrizes, há necessidade da coleta do segundo lactato e precisamos melhorar essa avaliação. Temos que embutir na veia dos profissionais, que assim como aferimos a PA após volume em pacientes com hipotensão, temos que avaliar a hiperlactatemia após o volume infundido.

“Sepse você suspeita, trata e depois vê se é ou não! E depois suspende o ATB, caso não seja.”
Esse é nosso lema e é assim que conseguimos suspeitar e identificar rapidamente a sepse.

Para melhorar o nosso desempenho, realizamos treinamentos mensais e cursos com simulação realística para que todos entendam a gravidade de um paciente séptico.
 
  Voltar