Instituto Latino Americano de Sepse – Sepse em Foco - Nº 02- Junho - 2015
 
   
Boas práticas
Hospital de Base de São José do Rio Preto

O processo de implantação dos protocolos de sepse no Hospital de Base de São José do Rio Preto (SP) teve início em outubro de 2012, quando a instituição aderiu à Campanha Nacional do Ministério da Saúde “Controlando a Infecção. Sobrevivendo à Sepse”. A partir de então, formamos a Comissão de sepse, finalizamos o protocolo e realizamos treinamento com todos envolvidos entre outubro 2012 a abril de 2013, mês em que implantamos oficialmente o protocolo de sepse na instituição, com a participação de toda a diretoria, gestores e demais funcionários.

Por se tratar de um hospital escola com 739 leitos, a implantação do protocolo restringiu-se às emergências de nosso complexo, visto que, como porta de entrada, poderíamos viabilizar o atendimento do paciente séptico nas primeiras horas. Diante deste proposto, implementamos alerta de sepse na ficha de triagem do enfermeiro e na ficha de avaliação médica, o que nos permitiu, além do diagnóstico precoce, o levantamento dos pacientes que entrariam no banco de dados do ILAS. Foram revistos processos, fluxos, dentre outros aspectos, a fim de agilizar o atendimento ao paciente séptico.

O protocolo foi amplamente divulgado e disponibilizado para todos os profissionais da instituição por meio de banners explicativos, treinamentos online e dentro do pronto atendimento. Como incentivo, os funcionários com acesso aos treinamentos online eram premiados, por meio de sorteio. Também realizamos simulação realística, com divulgação por nossa imprensa local e da região e publicamos matérias em nossa revista institucional.

Para agilizar o atendimento e garantir o cumprimento do protocolo, elaboramos prescrição padrão para sepse, também com o objetivo de nortear a equipe, quanto às prioridades no atendimento do paciente séptico.

Diante destas implementações, passamos a coletar os dados, alimentar o banco de dados e receber os relatórios trimestrais do ILAS.

Atualmente o protocolo está implantado em todas as emergências do nosso complexo (adulto e pediátrico). Foram incluídos na base de dados 733 pacientes, o que nos permitiu identificar, por meio dos indicadores, os pontos que precisávamos melhorar, discussão essa que é realizada mensalmente pela Comissão de sepse, junto com a equipe da Emergência.

Todos os pacientes que preenchem critério para entrar no protocolo são admitidos dentro do pronto atendimento. As fichas de triagem são arquivadas e, posteriormente, por meio da pesquisa do prontuário, os dados são coletados, analisados e lançados no banco de dados do ILAS.

Após 24 meses de implantação, foi possível colher alguns frutos:




Apesar da queda na taxa de mortalidade, nosso tempo de início de antibioticoterapia permanece alto, com média de 4 horas, sendo a redução deste tempo nossa principal meta atualmente.

Desafios - Como dito anteriormente, nosso principal desafio tem sido reduzir o tempo de início do antibiótico para menos de uma hora após o reconhecimento de um quadro de sepse grave, visto que estudos recentes comprovaram que a cada hora de atraso na infusão do antibiótico a sobrevivência dos pacientes com sepse grave diminui em 7,6%.

Por se tratar de um hospital escola de referência para toda nossa região, temos um fluxo alto de pacientes e percebemos que o paciente séptico, se comparado a outras patologias, não apresenta sintomas que “chamem a atenção” da equipe para priorizar este atendimento. Consequentemente, há uma demora na discussão do caso, definição do antibiótico e execução da prescrição médica.

Outra dificuldade é o tempo de espera por vaga na unidade de terapia intensiva (UTI). Sabemos que a realidade de um pronto atendimento (PA) é diferente se compararmos número de profissionais e recurso tecnológicos. O paciente permanece, em quase 100% dos casos, nas primeiras seis horas, dentro do PA, aguardando vaga em UTI. Infelizmente, não temos leitos específicos para o paciente séptico e nem condições para realizar uma assistência beira leito, com controle eficaz de sinais vitais, balanço hídrico e monitorização hemodinâmica, devido ao alto fluxo de pacientes.

No decorrer dos meses, tentamos algumas estratégias, como avaliar a aderência ao uso da prescrição padrão de sepse, alterar alguns documentos eletrônicos para trazerem alertas quanto ao protocolo de sepse para toda equipe e redefinir fluxo do paciente séptico. Porém, concluímos que a dificuldade estava realmente dentro do PA, onde a equipe está envolvida com vários outros atendimentos, que muitas vezes “chamam mais atenção” do que o paciente séptico.

Diante deste panorama, a Comissão optou por montar uma equipe para atender os pacientes sépticos, formada por um residente médico de terapia intensiva e uma enfermeira aprimorada de Emergência. O paciente é identificado pelo enfermeiro da triagem e PA, que aciona a equipe por meio de bip sempre que preenchidos os critérios de sepse (dois sinais de SIRS e suspeita de foco infeccioso). A equipe dirige-se ao PA e avalia o histórico e exames. Se identificada uma disfunção orgânica, é dada continuidade no protocolo, sendo que a equipe da sepse fica exclusivamente no atendimento do paciente séptico, permanecendo dentro do PA até o cumprimento do pacote das primeiras 6 horas e sua estabilização do paciente.

Pretendemos com essa medida fazer com que o foco da equipe fique mantido no paciente séptico e o cumprimento do protocolo seja realizado em tempo hábil e de forma eficaz.

Por Enfermeira Márcia Valéria
   
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