Instituto Latino Americano de Sepse – Sepse em Foco - Nº 02- Junho - 2015
 
 
Fórum Sepse
Simpósio Internacional de Sepse reúne mais de 600 participantes em São Paulo
Maio foi um mês importante para o ILAS – Instituto Latino Americano de Sepse e para a comunidade científica que se dedica a estudar o tema. Nos dias 28 e 29, aconteceu em São Paulo a décima segunda edição do Fórum Internacional de Sepse. O evento reuniu mais de 600 profissionais no Caesar Business Vila Olímpia.

A abertura oficial do encontro contou com a participação do presidente da AMIB – Associação de Medicina Intensiva Brasileira, Dr. Fernando Dias (RS); a presidente da ABENTI – Associação Brasileira de Enfermagem e Terapia Intensiva, Dra. Renata Pietro (SP); e do Dr. Luiz Aranha (SP), que representou a SBI – Sociedade Brasileira de Infectologia. Ao lado deles estavam o vice-presidente do ILAS, Dr. Luciano Azevedo (SP); e o presidente, Dr. Reinaldo Salomão (SP).

“O nosso Fórum é multidisciplinar e reúne pesquisadores, investigadores clínicos e profissionais de saúde que educam, treinam e cuidam diariamente dos pacientes que ocupam os leitos de nossas UTIs, vitimizados pela sepse. Ao longo dos anos, o nosso desafio ao organizar esse encontro foi crescer sem perder a identidade de promover a discussão e a busca de conhecimento em diferentes áreas para o diagnóstico e tratamento da sepse”, disse Dr. Reinaldo Salomão.

A primeira conferência do dia foi ministrada pelo norte-americano Daniel Remick. A taxa de mortalidade por sepse em seu país está em torno de 23% a 25%, e, segundo o médico, o grande desafio dos Estados Unidos é o formato de disponibilização do sistema de saúde para a população, pois são 50 estados e cada um tem a sua particularidade, inclusive na padronização para os tratamentos.

Em seguida aconteceu a sessão temática que contou com a participação de mais dois convidados internacionais: Simon Finfer, da Austrália, e Elisa Estenssoro, da Argentina. O médico australiano apresentou os dados de seu país, que tem o menor índice de mortalidade por sepse do mundo, com apenas 18%. Ao abrir sua fala, Dr. Finfer disse que não há nenhuma mágica e que os resultados positivos na Austrália se devem a um sistema de saúde pública eficiente e profissionais qualificados. Enfatizou principalmente o atendimento da equipe de enfermagem. Em seu país, há 1,8 enfermeiros por leito de UTI; enquanto no Brasil a RDC-07 recomenda 1 para cada 10 leitos com mais um profissional de enfermagem para cada 2 leitos. (leia a entrevista a seguir)

Elisa Estenssoro apresentou um panorama de sepse na América Latina. Segundo a pesquisadora, os índices continuam preocupantes: a média de mortalidade por sepse na AL fica em torno de 55%. “Percebemos que a incidência e mortalidade por sepse estão diretamente relacionadas com o perfil sócio econômico do país”, reforçou.

Outra convidada internacional foi a epidemiologista britânica Dra. Kathy Rowan. Ela apresentou os resultados do PROMISE que avaliou o pacote de 6 horas para ressuscitação versus tratamento convencional de suporte em sepse. Participaram da investigação 1.260 pacientes de 56 UTIs. O médico intensivista, Dr. Luciano Azevedo (SP), apresentou dados alarmantes sobre o futuro da sepse em nosso país. Atualmente, segundo o Spread (Sepsis Prevalence Assessment Database), estudo comandado pelo ILAS e BRICNET, a taxa de mortalidade no Brasil é de 55,7%. O cenário aponta que em nosso país a incidência pode chegar a 600 mil casos por ano. “A sepse tem que ser enxergada como um problema de saúde pública”, disse.

Prêmio Poli de Figueiredo - No segundo dia, aconteceu a entrega do Prêmio Luiz Poli de Figueiredo para o melhor tema livre em estudo pré-clínico e para o melhor em estudo clínico. O tema vencedor na área de investigação clínica foi o da Dra. Lígia Sarment Cunha Farah Rabello, intitulado “Características organizacionais e desfecho dos pacientes sépticos admitidos na UTI”. Já na categoria pré-clínico, foi premiado o trabalho “A new patchway for nuclear translocation of glucocorticoid receptor induced by LPS and interferon-Y in the absence of corticoids involving nitric oxide release”, da Dra. Karin Scheschowitsch.

“O prêmio é um incentivo aos jovens pesquisadores, pós-graduandos e recém-formados, que enriquecem o nosso fórum nos trazendo a juventude e os novos conhecimentos. Eles muitas vezes, não estão representados aqui em forma de palestras, mas representam o nosso futuro”, disse o Dr. Reinaldo Salomão, presidente do ILAS, ao anunciar os ganhadores.



Estiveram ao palco para anunciar e premiar os ganhadores, além do Dr. Salomão, a Dra. Flávia Machado e o Dr. Luciano Azevedo.

   
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