Mortalidade no Centro-Oeste é a mais alta do País

A taxa de mortalidade por sepse (infecção generalizada) na região Centro-Oeste do Brasil é de 70%, a maior do País. A informação é do Instituto Latino Americano da Sepse (Ilas), que realizou pesquisa qualitativa em 229 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) brasileiras, investigando 2.705 pacientes. O órgão estima que 400 mil novos casos são diagnosticados por ano no Brasil, causando a morte de 240 mil pessoas neste mesmo período. Dos pacientes internados em tratamento intensivo com a síndrome, 55,7% morrem. Nos EUA, a taxa de mortalidade é de 18%. Em países da Europa, como a França, 30%. Na Austrália, 18%.

A sepse ocorre quando um agente infeccioso – tais como bactérias, vírus ou fungo – entra na corrente sanguínea de uma pessoa. A infecção afeta todo o sistema imunitário, o que então desencadeia uma reação em cadeia que podem provocar uma inflamação descontrolada no organismo. Esta resposta de todo o organismo à infecção produz mudanças de temperatura, da pressão arterial, frequência cardíaca, contagem de células brancas do sangue e respiração. As formas mais graves de sepse também podem causar uma disfunção de órgãos ou o chamado choque séptico.

A infectologista Andrea Spadeto, gerente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Alberto Rassi (HGG), destaca que qualquer tipo de infecção, leve ou grave, pode evoluir para sepse. “Quanto menor o tempo com infecção, menor a chance de surgimento da sepse e quanto mais cedo for o diagnóstico, mais chances de reduzir a mortalidade”.

Para o médico Haikal Helou, presidente da Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg), diversos fatores podem contribuir para os altos índices do País, inclusive o hábito de usar antibióticos indiscriminadamente. “Já temos trabalhado no sentido de combater a venda sem prescrição, mas sabemos que ainda existe. Isso gera a criação de uma seleção de bactérias não sensíveis, fazendo da redução da mortalidade um desafio ainda maior”.

Helou afirma que a afirma que a falta de estrutura de muitos hospitais também podem contribuir para as complicações. “Não é privativo de Goiás, muitos Estados estão sofrendo com as consequências da abertura de inúmeros Centros de Terapia Intensiva, que contrastam com a estrutura da unidade. Uma CTI precisa de grau de qualidade, suporte de especialistas, laboratórios etc”.

De acordo com o presidente, a Ahpaceg pretende divulgar os índices de seus hospitais para que os pacientes possam compará-los com os demais, inclusive internacionais. “Muita gente ainda tem medo de pegar infecção em um hospital de alta complexidade, mas as infecções podem ocorrer em todo local. O que precisa ser feito é baixar os índices para números aceitáveis”.

Superação

A funcionária pública Nilda Lopes de Oliveira Lisita, de 52 anos, não teve tempo para ficar surpresa com o diagnóstico de sepse. Ela começou a sentir dores nas costa, cansaço e febre horas depois de passar por uma endoscopia. No dia seguinte, também com diarreia e vômito, voltou a procurar atendimento médico e foi diagnosticada com dengue. Na madrugada seguinte, ela já daria entrada direto na UTI e logo após, perderia a consciência, permanecendo em coma por 41 dias. “Só não morri porque não era a minha hora. Já havia sido desenganada pelos médicos.”

No Brasil paciente com infeccao morre em 56% dos casos

Como expliquei em alguns posts a principal causa de morte dos indivíduos de populações  primitivas, assim como nossos ancestrais pré históricos (de acordo com registros de fósseis) é o risco ocupacional destes indivíduos caçadores e coletores, ou seja morte por acidentes/traumática e doenças infecciosas. Um em cada 4 crianças morre na primeira infância e apenas isso diminui 1/3 da expectativa de vida deles. Embora doenças degenerativas como doenças cardiovasculares e câncer sejam raras (idade estatisticamente ajustada) nas populações já estudadas, existe uma série de evidências demonstrado que as “mortes sociais” e doenças infecciosas representam a maior parcela da mortalidade nestas sociedades.

Pois bem, é fato também que “mortes sociais” representam representam uma parcela substancial dos falecimentos nas sociedades modernas. Obviamente, com o surgimento dos antibióticos as infecções podem ser combatidas, no entanto o risco é grande e iminente devido a vários fatores como os descritos abaixo:

No Brasil paciente com infecção generalizada morre em 56% dos casos:

  • A doença representa 25% do caso dos leitos de UTIs no Brasil e é a principal causa de mortes nestas unidades.
  • 44% dos médicos não conseguem reconhecer a doença de acordo com um estudo de 2010.
  • Além do diagnóstico errado, a superlotação é também um dos principais problemas em hospitais públicos.
  • Em 40% dos casos o paciente já chega no hospital com a síndrome, o que significa que uma grande parcela das mortes são devidas ao erro de diagnóstico e uma grande parte devido a identificação da doença em um estágio já avançado.
  • Mesmo nos hospitais com mais verbas a taxa de mortalidade é de 52%
  • Estudo mostra que com treinamento é possível reduzir a taxa de 55% para 26%

Infecco generalizada mata 55.7% dos internados em UTI

55,7% dos pacientes internados nas UTIs brasileiras com infecção generalizada (Sepse) acabam morrendo. Os dados foram divulgados pelo um Instituto Latino Americano da Sepse nesta quarta-feira (19). A doença provocada por uma infecção bacteriana generalizada é um dos principais problemas de saúde no país, sendo responsável, ainda, por 25% da ocupação de leitos em UTIs no Brasil.

De acordo com patologistas, a morte por infecção generalizada pode ser evitada, mas para isto é preciso que os laboratórios brasileiros se preparem melhor para detectar logo este problema. Ainda segundo dados do Instituto, nos hospitais com mais recursos a taxa de mortalidade era de 52%, enquanto que nos mais carentes este percentual de óbitos era de 66, 4%.

A região onde a taxa de mortalidade foi maior o o Centroeste, com 70%, e a menor taxa fica em 51,2%, encontrada no Sudeste do país. O levantamento foi realizado em 229 unidades de terapia intensiva no Brasil.

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