Campanhas de saúde movimentam a cidade até o fim de semana

Projetos de conscientização contra a sepse e o gigantismo têm o objetivo de orientar a população contra doenças comuns, mas pouco conhecidas

Quem passar pela Rodoviária Novo Rio nesta quinta-feira, entre 7h e 14h, receberá um folheto explicativo intitulado “Pare a sepse, salve vidas”. É uma campanha para alertar a população sobre a infecção generalizada gerada por germes patogênicos, que atinge 400 mil pessoas anualmente no Brasil. Destas, morrem 220 mil. Os dados são da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), responsável pelo projeto junto com o Instituto Latino-Americano (Ilas). No programa estão informações sobre o que é o mal, quais os riscos e o diagnóstico. Médicos também responderão a dúvidas da população.

Dados de estudos epidemiológicos brasileiros, coordenados pelo Ilas, apontam que cerca de 17% dos leitos de UTIs no país são ocupados por pacientes de sepse grave. A taxa de mortalidade chega a alcançar 55% dos pacientes. Na última década, a incidência da doença aumentou entre 8% e 13% em relação à década passada. Entre os sintomas, calafrios, confusão ou delírio e diminuição na excreção de urina.

— É uma das doenças mais comuns e menos reconhecidas — alerta Flávia Machado, vice-presidente do Ilas.

Para Luciano Azevedo, médico intensivista membro da instituição, o envelhecimento populacional é uma das razões do crescimento.

— É um grande fator, aliado ao aumento das intervenções de alto risco e o desenvolvimento de agentes infecciosos mais virulentos e resistentes a antibióticos.

O Rio de Janeiro não será a única cidade a receber a mobilização. Em São Paulo, Salvador, Brasília e Porto Alegre a campanha também irá à população. Confira os locais no final da matéria.

Também na quinta-feira, o Instituto Espaço de Vida retorna ao Rio para alertar a população sobre a acromegalia, doença que tem como causa a produção excessiva de hormônio de crescimento na idade adulta. Durante a infância ou a adolescência, pode ser chamada de gigantismo. A campanha distribuirá materiais de alerta aos sinais e sintomas da doença e terá equipe para esclarecimentos na Central do Brasil, no Mercadão de Madureira e no Complexo do Alemão. O evento acontece das 11h às 16h.

— No início, as alterações são mais sutis e a pessoa pode nem perceber, mas vão se agravando se não tratadas — alerta Christine Battistini, fundadora da instituição.

Além das alterações no corpo, a acromegalia também causa suor excessivo, dor de cabeça, formigamentos nas mãos, dores nas articulações, cansaço excessivo, alterações na visão, disfunções sexuais, distúrbios menstruais, diabetes, roncos, pressão alta, apneia do sono e aumento da tireoide. O tratamento da acromegalia pode ser feito por meio de cirurgia ou de medicamentos.

No sábado, na Quinta da Boa Vista, próximo à saída do Largo da Cancela, estudantes e professores de diversas faculdades de biologia do Rio de Janeiro mostram, a partir das 10h, como é a rotina da profissão a jovens e adultos. No Bio na Rua, mais de 30 trabalhos produzidos nas academias serão demonstrados ao público. Entre os temas estão ecologia, biologia marinha, zoologia, botânica, genética, educação ambiental, sustentabilidade, reciclagem e consumo consciente. A estimativa é da visita de mais de mil pessoas.

— A ideia é esclarecer a população sobre a profissão do biólogo e sobre o que se produz em uma universidade pública, cientes da importância dos projetos de extensão para o estabelecimento do vínculo entre a produção universitária e a comunidade. Acreditamos que é um direito do cidadão saber onde parte do seu imposto é investido — alega Daniela de Carvalho, uma das organizadoras do evento.

Locais do “Pare a sepse, salve vidas”:
Rio de Janeiro:

    • Rodoviária Novo Rio – das 7h às 14h

São Paulo:

    • Terminal Rodoviário Tietê – das 7h às 14h
    • Shopping Metrô Tatuapé – de meio-dia às 18h

Salvador:

    • Terminal Rodoviário de Salvador – das 7h às 14h
    • Aeroporto Internacional de Salvador – das 8h30m às 15h30m

Brasília:

    • Rodoviária de Brasília – das 7h às 14h
    • Aeroporto Internacional de Brasília – das 7h às 14h

Porto Alegre:

    • Estação Rodoviária de Porto Alegre – das 7h às 14h
  • Terminal Parobé – das 7h às 14h

Sepse é um inimigo silencioso, fatal e quase desconhecido

O termo sepse origina-se do grego sêpsis, que significa putrefação. A sepse, como manifestação de diferentes endemias e epidemias, causou profundo impacto na história da humanidade. Um dos exemplos mais ilustrativos é a epidemia da peste, que, na sua forma septicêmica, dizimou um terço da população europeia no século XIV.

Essa alusão a um episódio do passado pode nos trazer a ilusão de que com a descoberta dos microrganismos e dos antibióticos achamos a solução para um problema tão importante.

Infelizmente não; estima-se que ocorram cerca de 20 milhões de casos anualmente, com mortalidade que, nas formas graves,  ultrapassa 50%. Esses casos estão concentrados particularmente em regiões menos favorecidas, com diagnóstico tardio e carência de leitos de terapia intensiva.

Sepse pode ser definida como a repercussão ou manifestação sistêmica de uma infecção. Isso significa que a partir de um foco infeccioso, por exemplo, uma infecção urinária ou uma pneumonia, todo o corpo fica comprometido.

Na sepse, como no infarto ou no acidente vascular cerebral, tempo é vidaReinaldo Salomão, infectologista, sobre importância de diagnóstico precoce em casos de infecção

Isso pode acontecer por disseminação da infecção, que alcança o sangue e a partir dele os diferentes órgãos (daí os termos septicemia, infecção disseminada ou até envenenamento do sangue) ou pela própria resposta inflamatória do nosso organismo.

O paciente apresenta calafrios, o coração bate mais rápido e a respiração fica mais difícil. Órgãos distantes da infecção inicial passam ter as funções comprometidas, até que, numa situação extrema o paciente apresenta importante queda de pressão (choque séptico).

Fica claro, portanto, que à medida que a doença avança aumenta muito a chance de o paciente não sobreviver ao tratamento e aqui temos um importante aspecto: o tempo. Diagnóstico e tratamento precoces salvam vidas. Diagnóstico e tratamento tardios tornam-se ineficazes. Na sepse, como no infarto ou no acidente vascular cerebral (ou derrame), tempo é vida.

Sepse no Brasil e no mundo

A sepse ocorre com elevada frequência em diferentes partes do mundo. Nos Estados Unidos estima-se um milhão de casos por ano, acometendo de forma especial a população mais idosa. Um estudo com Unidades de Terapias Intensivas (UTIs) de 75 países mostrou que metade dos pacientes sob cuidados intensivos apresentava infecção.

No Brasil, há uma estimativa de cerca de 400.000 casos anuais de sepse. É notório que o impacto da sepse é diferente entre os países, sendo o número de mortes maior em países com menos recursos.

Um banco de dados de diferentes países, publicado há alguns anos, mostrava mortalidade média de 39%, com países com mortalidade tão baixa quanto 22% (Austrália) e tão alta quanto 57% (Malásia). O Brasil situava-se mais próximo do extremo com maior mortalidade, de 56%.

Para acentuar o problema, a mortalidade por sepse diminuiu em países como Austrália e Nova Zelândia, mas permanece sem redução significativa em nosso país. Um estudo recente, conduzido em cerca de 200 UTIs no país, mostrou que cerca de 30% dos leitos estavam ocupados por pacientes com sepse; desses mais da metade não sobreviveu.

Para diminuir o número de pessoas que morrem com sepse é importante preveni-la e, uma vez que ela aconteça, que o diagnóstico e o tratamento sejam feitos o mais rápido possível. Para isso precisamos trabalhar com o público leigo, divulgar os sinais de alerta para sepse (suspeita de infecção e febre, calafrios, coração batendo rápido ou cansaço para respirar) para que os familiares procurem auxílio médico.

Uma pesquisa encomendada pelo ILAS (Instituto Latino-Americano de Sepse) ao Datafolha mostrou que apenas 7% dos brasileiros tinham ouvido falar de sepse; precisamos trabalhar com a equipe médica e multiprofissional de saúde, para que o atendimento seja feito de forma coordenada e rápida no hospital; inserir a sepse dentro das políticas públicas de saúde e empregar esforços na pesquisa sobre a síndrome, de forma a descobrir novas abordagens terapêuticas. Por fim, é importante levar o conhecimento adquirido para a beira de leito, de forma que o paciente se beneficie do mesmo.

Não podemos ficar indiferentes: um em cada dois pacientes com sepse grave ou choque séptico morrem no Brasil. É importante conhecer, é importante reconhecer, é urgente tomar atitude.

Mortalidade no Centro-Oeste é a mais alta do País

A taxa de mortalidade por sepse (infecção generalizada) na região Centro-Oeste do Brasil é de 70%, a maior do País. A informação é do Instituto Latino Americano da Sepse (Ilas), que realizou pesquisa qualitativa em 229 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) brasileiras, investigando 2.705 pacientes. O órgão estima que 400 mil novos casos são diagnosticados por ano no Brasil, causando a morte de 240 mil pessoas neste mesmo período. Dos pacientes internados em tratamento intensivo com a síndrome, 55,7% morrem. Nos EUA, a taxa de mortalidade é de 18%. Em países da Europa, como a França, 30%. Na Austrália, 18%.

A sepse ocorre quando um agente infeccioso – tais como bactérias, vírus ou fungo – entra na corrente sanguínea de uma pessoa. A infecção afeta todo o sistema imunitário, o que então desencadeia uma reação em cadeia que podem provocar uma inflamação descontrolada no organismo. Esta resposta de todo o organismo à infecção produz mudanças de temperatura, da pressão arterial, frequência cardíaca, contagem de células brancas do sangue e respiração. As formas mais graves de sepse também podem causar uma disfunção de órgãos ou o chamado choque séptico.

A infectologista Andrea Spadeto, gerente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Alberto Rassi (HGG), destaca que qualquer tipo de infecção, leve ou grave, pode evoluir para sepse. “Quanto menor o tempo com infecção, menor a chance de surgimento da sepse e quanto mais cedo for o diagnóstico, mais chances de reduzir a mortalidade”.

Para o médico Haikal Helou, presidente da Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg), diversos fatores podem contribuir para os altos índices do País, inclusive o hábito de usar antibióticos indiscriminadamente. “Já temos trabalhado no sentido de combater a venda sem prescrição, mas sabemos que ainda existe. Isso gera a criação de uma seleção de bactérias não sensíveis, fazendo da redução da mortalidade um desafio ainda maior”.

Helou afirma que a afirma que a falta de estrutura de muitos hospitais também podem contribuir para as complicações. “Não é privativo de Goiás, muitos Estados estão sofrendo com as consequências da abertura de inúmeros Centros de Terapia Intensiva, que contrastam com a estrutura da unidade. Uma CTI precisa de grau de qualidade, suporte de especialistas, laboratórios etc”.

De acordo com o presidente, a Ahpaceg pretende divulgar os índices de seus hospitais para que os pacientes possam compará-los com os demais, inclusive internacionais. “Muita gente ainda tem medo de pegar infecção em um hospital de alta complexidade, mas as infecções podem ocorrer em todo local. O que precisa ser feito é baixar os índices para números aceitáveis”.

Superação

A funcionária pública Nilda Lopes de Oliveira Lisita, de 52 anos, não teve tempo para ficar surpresa com o diagnóstico de sepse. Ela começou a sentir dores nas costa, cansaço e febre horas depois de passar por uma endoscopia. No dia seguinte, também com diarreia e vômito, voltou a procurar atendimento médico e foi diagnosticada com dengue. Na madrugada seguinte, ela já daria entrada direto na UTI e logo após, perderia a consciência, permanecendo em coma por 41 dias. “Só não morri porque não era a minha hora. Já havia sido desenganada pelos médicos.”

No Brasil paciente com infeccao morre em 56% dos casos

Como expliquei em alguns posts a principal causa de morte dos indivíduos de populações  primitivas, assim como nossos ancestrais pré históricos (de acordo com registros de fósseis) é o risco ocupacional destes indivíduos caçadores e coletores, ou seja morte por acidentes/traumática e doenças infecciosas. Um em cada 4 crianças morre na primeira infância e apenas isso diminui 1/3 da expectativa de vida deles. Embora doenças degenerativas como doenças cardiovasculares e câncer sejam raras (idade estatisticamente ajustada) nas populações já estudadas, existe uma série de evidências demonstrado que as “mortes sociais” e doenças infecciosas representam a maior parcela da mortalidade nestas sociedades.

Pois bem, é fato também que “mortes sociais” representam representam uma parcela substancial dos falecimentos nas sociedades modernas. Obviamente, com o surgimento dos antibióticos as infecções podem ser combatidas, no entanto o risco é grande e iminente devido a vários fatores como os descritos abaixo:

No Brasil paciente com infecção generalizada morre em 56% dos casos:

  • A doença representa 25% do caso dos leitos de UTIs no Brasil e é a principal causa de mortes nestas unidades.
  • 44% dos médicos não conseguem reconhecer a doença de acordo com um estudo de 2010.
  • Além do diagnóstico errado, a superlotação é também um dos principais problemas em hospitais públicos.
  • Em 40% dos casos o paciente já chega no hospital com a síndrome, o que significa que uma grande parcela das mortes são devidas ao erro de diagnóstico e uma grande parte devido a identificação da doença em um estágio já avançado.
  • Mesmo nos hospitais com mais verbas a taxa de mortalidade é de 52%
  • Estudo mostra que com treinamento é possível reduzir a taxa de 55% para 26%

Infecco generalizada mata 55.7% dos internados em UTI

55,7% dos pacientes internados nas UTIs brasileiras com infecção generalizada (Sepse) acabam morrendo. Os dados foram divulgados pelo um Instituto Latino Americano da Sepse nesta quarta-feira (19). A doença provocada por uma infecção bacteriana generalizada é um dos principais problemas de saúde no país, sendo responsável, ainda, por 25% da ocupação de leitos em UTIs no Brasil.

De acordo com patologistas, a morte por infecção generalizada pode ser evitada, mas para isto é preciso que os laboratórios brasileiros se preparem melhor para detectar logo este problema. Ainda segundo dados do Instituto, nos hospitais com mais recursos a taxa de mortalidade era de 52%, enquanto que nos mais carentes este percentual de óbitos era de 66, 4%.

A região onde a taxa de mortalidade foi maior o o Centroeste, com 70%, e a menor taxa fica em 51,2%, encontrada no Sudeste do país. O levantamento foi realizado em 229 unidades de terapia intensiva no Brasil.

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