Instituto Latino Americano de Sepse – Sepse em Foco - Nº 09 - Março - 2017
 
Hospital Vera Cruz comemora primeiros resultados do Protocolo de Sepse

O Hospital Vera Cruz, de Campinas – São Paulo, implantou o Protocolo de Sepse do ILAS na UTI Adulto em agosto de 2016. Até o momento, o Grupo de Protocolo de Sepse do Hospital recebeu dois feedbacks através dos relatórios trimestrais do ILAS, e os resultados refletem o empenho de toda equipe em mudar o cenário da sepse em nosso país: a mortalidade por sepse na UTI Adulto da instituição está em 16%. “Nosso protocolo é recente e o nosso objetivo é avaliar o resultado de um ano para traçarmos estratégias para que possamos melhorar esse índice. Acreditamos que podemos baixar para menos de 15% com o esforço e dedicação de todos os profissionais médicos e enfermeiros de UTI e pronto socorro”, diz o gestor médico do Hospital, Dr. Bruno Araújo.

Ao chegar na gestão do Hospital Vera Cruz, Dr. Bruno Araújo considerou muito importante a implantação de protocolos na instituição, que é referência de atendimento e qualidade na região. Decidiu-se iniciar com a implantação do protocolo de sepse. Em novembro de 2015, entraram em contato com o ILAS para aderirem ao Protocolo de Sepse da entidade. “Foi um longo caminho até a implantação, mas que valeu a pena”, disse.

O primeiro passo foi formar um grupo de sepse dentro do Hospital, que, hoje, está formado por oito profissionais: enfermeiros e médicos da UTI Adulto e PS, além de representantes do laboratório e farmácia. O grupo é coordenador pela enfermeira chefe de protocolo. “Grupo formado, com o auxílio e orientação do ILAS, iniciamos a redação do protocolo. Porém, sabemos que a fase mais difícil não é a redação, mas colocar em prática o que está no papel e, para que isso ocorra, é preciso conscientizar a todos sobre a temática.”

A primeira ação de conscientização foi a realização de uma palestra sobre sepse para todos os profissionais médicos, enfermeiros e de departamentos. A ação aconteceu em março de 2016 e a palestrante convidada foi a médica e consultora do ILAS, Dra. Flávia Machado. “A ação foi importantíssima e teve uma repercussão muito importante para colocarmos em prática o protocolo.”

Simultaneamente, o grupo de sepse iniciou uma campanha de conscientização para todos as pessoas que circulam no hospital, inclusive com pacientes. “Afixamos cartazes nas áreas de funcionários, salas de espera, consultórios falando sobre sepse e como é importante o seu rápido diagnóstico. Umas das publicações destacava que a sepse mata mais do que infarto e que reconhecer alguns sinais pode salvar vidas. A campanha sensibilizou a todos”.

O Hospital Vera Cruz também investiu em uma plataforma de educação a distância (EAD) para o treinamento de todos os profissionais médicos, enfermeiros e internistas da UTI adulto de PS. O conteúdo é composto por aulas e duas vídeos conferência e, ao final, o profissional passa por uma avaliação. “Todo novo profissional contratado para a UTI Adulto e PS, antes de serem cadastrados no corpo clínico, passam por esse treinamento”.

Outra ação importante implantada foi o “Feedback de Atendimento”. Todos os profissionais médicos e enfermeiros, desde janeiro desse ano, recebem uma carta de avaliação do seu atendimento de cada paciente incluso no protocolo de sepse. Essa avaliação segue um modelo proposto pelo ILAS e é realizada pela enfermeira chefe de protocolo. “O objetivo é reconhecer o esforço de cada um, destacando seus pontos fortes e oferecendo subsídios para melhorias da assistência. Para incentivar os profissionais, criamos uma pontuação e, no final do ano, vamos premiar os melhores pontuados”.

O próximo passo da instituição será iniciar o processo de implantação do protocolo de sepse na UTI pediátrica.  Dr. Bruno Araújo contou, também, que o Hospital Vera Cruz recebeu em fevereiro a Acreditação ONA – Nível 2. “Essa conquista é muito importante para a nossa instituição e o protocolo de sepse implantado foi fundamental para que a recebêssemos. Essa implantação trouxe muitos ganhos a todos os profissionais e, principalmente, aos nossos pacientes. O aprendizado está nos ajudando a moldar outros protocolos, o que trará muitos benefícios à nossa instituição e aos pacientes. Qualquer implantação de protocolo não é fácil, mas os resultados compensam o esforço de cada profissional envolvido. Salvar uma vida já é muito gratificando, principalmente quando reconhecemos que é devido ações que desenvolvermos”, disse Dr. Bruno Araújo.


  Voltar